PNAD contínua e taxa de desocupação no Brasil no 1ºTri

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Talvez eu esteja um pouco atrasada no novo fuxico econômico, porém não me passa despercebido aos olhos que a pesquisa divulgada pelo IBGE no dia último dia 13: a PNAD Contínua do Primeiro Trimestre de 2022. Segundo a pesquisa, o índice de desocupados permanece o mesmo que o da última pesquisa em 26 dos 27 estados do Brasil. No 4º tri de 2021 a taxa foi de 11,1% e caindo 3,8 pontos percentuais frente ao mesmo trimestre também do ano passado, que foi de 14,9%.

Isso significa que o cenário econômico pouco evoluiu no período de quase um ano inteiro (!), a escassez de pessoas ocupando a força de trabalho é um sinal de que a economia está desestimulada por diversos motivos internos (enfrentamento à pandemia, cenário político etc.) e externos (bombardeios da Rússia contra Ucrânia e sanções políticas e econômicas ao vilão da história). É importante lembrar que isso tudo ocorre quando o Brasil e grande parte do mundo ainda não tinha conseguido se recuperar dos estragos socioeconômicos causados pela Covid-19.

Um ponto para se refletir citado na pesquisa é que ficaram explícitas as desigualdades entre gênero sexual, cor da pele, além do nível educacional e regional do país. A taxa de desocupação por sexo foi de 9,1% para os homens e 13,7% para as mulheres no 1° trimestre de 2022. Já a taxa de desocupação por cor ou raça ficou abaixo da média nacional para os brancos (8,9%) e acima para os pretos (13,3%) e pardos (12,9%).

Outro ponto que devemos dar importância é o nível de instrução e anos de estudo dessa população subutilizada. Conforme observado pelo IBGE, A taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto foi de 18,3%, a maior dentre as taxas dos demais níveis de formação. Para os brasileiros com nível superior incompleto, a taxa foi 11,9%, mais que o dobro da verificada para o nível superior completo, 5,6%.

Agora se tratando das taxas regionais: A taxa de subutilização da força de trabalho No 1° trimestre de 2022, o estado do Piauí foi teve a maior taxa, 43,9%, seguido por Sergipe e Alagoas, ambos com 38,6%. Já as menores taxas ficaram com Santa Catarina, 8,3%, Mato Grosso, 11,3% e Paraná 14%. Deixando ainda mais à mostra essa desigualdade, segundo a pesquisa o número de desalentados foi o maior na Bahia, com 648 mil desalentados, 14,1% do contingente nacional, no Maranhão foi de 15,8% e Alagoas 15,4%. Sendo o menor percentual em Santa Catarina, 0,6%.

Por fim, o percentual de empregados com carteira assinada era de 74,1% dos empregados do setor privado. Os maiores percentuais estavam, ainda, em Santa Catarina (88,2%), São Paulo (82,4%), Rio Grande do Sul (81,1%) e os menores, no Maranhão (47,3%), Pará (51,3%) e Piauí (51,4%).

Diante de todos esses dados fica nítido que o Brasil precisa de mais do que uma batalha política, precisa de proposta de como poderemos sair dessa confusão. A disparidades estão aumentando e sabemos quem são as pessoas mais estão sofrendo com isso. Elas não moram em São Paulo e não têm a pele clara. Já passou da hora de pessoas que realmente podem mudar isso pararem de responsabilizar apenas os atores externos por esse caos econômico que o país enfrenta.